sexta-feira, 24 de abril de 2009

Não Comerei da Alface a Verde Pétala

(Vinícius de Moraes)

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Não comerei da alface a verde pétala

Nem da cenoura as hóstias desbotadas

Deixarei as pastagens às manadas

E a quem maior aprouver fazer dieta.

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Cajus hei de chupar, mangas-espadas

Talvez pouco elegantes para um poeta

Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta

Que acredita no cromo das saladas.

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Não nasci ruminante como os bois

Nem como os coelhos, roedor; nasci

Omnívoro: dêem-me feijão com arroz

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E um bife, e um queijo forte, e parati

E eu morrerei feliz, do coração

De ter vivido sem comer em vão.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

El Bulli

O El Bulli já era primeiro do mundo, mas a Gastronomia não estava tanto na moda.

Para quem não viu, uma ótima oportunidade.
Para quem viu, não custa nada relembrar.


P.S.: A imagem está um pouco ruim, mas vale a pena ver mesmo assim.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Comer, Beber, Pecar

Estava olhando algumas noticias referentes ao mundo da gastronomia quando encontrei esta pérola:

Em 2/12 o público paulistano terá a oportunidade de degustar um brunch dentro do Mosteiro de São Bento. A refeição, elaborada pela chef Silvia Sivieri, será servida depois da missa na Basílica, no seu refeitório. Também é uma chance de conhecer áreas restritas como salas de aulas e teatro. O brunch, que começa às 11h30, custa R$ 99 por pessoa. A compra precisa ser antecipada na contadoria do Mosteiro.
Algumas coisinhas me intrigaram nessa notícia.
Primeiramente, um brunch, em um mosteiro ou é um incentivo ao pecado, ou é crueldade (que também é pecado). Isso porque os coitados literalmente (vide etimologia do termo) dos monges ou vão ficar só na vontade (olha o masoquismo, hein), ou vão se entregar aos prazeres da carne (decerto levemente mal passada) e se deixar corromper pelas tentações da gula.
A outra coisa é o valor cobrado. Então, para onde mesmo vão ser revertidos os lucros? Afinal, 99 reais por pessoa é um precinho bem salgado se levarmos em consideração que é possível encontrar um maravilhoso café da manhã colonial por uns 25 reais, e um bom almoço em uma churrascaria por uns 40 reais. Ou seja, algo que nem é um café da manha e nem chega a ser um almoço custar 99 reais, por pessoa, é no mínimo um roubo. E eu não preciso ensinar pra nenhum católico qual é o 8º mandamento.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Alex Atala X Nigella

Os fãs de Alex Atala que me desculpem, mas eu gosto mesmo é da Nigella.
É verdade. Desde que eu entrei na faculdade de gastronomia, tenho ouvido quase que diariamente sobre o brilhantismo do Alex Atala. E quando alguém comenta da Nigella o que ouvimos são risinhos de despreso.
Mas pensem comigo, o que faz dele um cara brilhante? Saber fatiar as coisa finamente, fazer esculturas de açúcar ou servir pouca comida por um valor muito alto? Acho que tudo isso junto.
É claro que não serei arrogante a ponto de dizer que ele não é bom no que faz, afinal ele é um dos chefs (se não "o" chef) mais aclamados do Brasil. Mas o que não me atrai é o excesso de sofisticação de sua culinária, o que torna o prazer de comer bem um ritual quase que eclesiástico e com uma pompa acima do necessário.
Agora olha só a Nigella: ela tem o dom de fazer um programa de TV requintado, transforma quase todos os ingredientes em maravilhosos pratos e faz tudo rápido, bonito, simples. O resultado é divino.
Tem gente que acha que ela não é uma grande chef, mas por quê, só porque ela usa qualidade e quantidade juntas? Ou porque ela apresenta na televisão coisas que realmente faríamos em nossa casa?
Cada pessoa deve ter sua opinião, mas acho que uma chef que corta salsinha com tesoura deveria ter seu mérito reconhecido.